Ser altamente sensível e sofrer com a ansiedade: É possível superar?

Ser altamente sensível e sofrer com a ansiedade: É possível superar?

27/04/2020 artigos Rosalira Oliveira

Antes de tudo deixe-me esclarecer uma coisa importante: não existe uma relação de causa e efeito entre alta sensibilidade e ansiedade, ponto final. O fato de ser uma pessoa altamente sensível não significa que você irá, necessariamente, sofrer com a ansiedade e muito menos padecer do distúrbio chamado “transtorno de ansiedade generalizada.” Nunca é demais repetir que o traço da alta sensibilidade não tem nada a ver com nenhum tipo de transtorno, embora possa, sim, haver casos de comorbidade (quando alguém é altamente sensível e, também, sofre de um transtorno psíquico). A palavra chave aqui é também, ou seja, trata-se de algo a mais que pode (ou não) se somar ao traço da alta sensibilidade.

 

O traço da alta sensibilidade é em si neutro, não é bom e nem mal, simplesmente É. Agora, dependendo da maneira como gerimos este traço, podemos senti-lo como algo positivo ou doloroso e complicado. Tudo depende da maneira como nos cuidamos e compreendemos a nós mesmos.

 

É por isso que considero tão importante que cada pessoa saiba que é uma PAS. Só assim poderá entender que a nossa maneira de captar e processar toda a informação que nos chega – e nos chega muito mais estímulos que aos que não são PAS – é mais intensa e mais profunda e, por conta disso, somos muito mais propensos a nos estressarmos por sobressaturação.

 

Existem quatro características básicas que definem a alta sensibilidade. E uma dentre elas, o processamento em profundidade em combinação com o estresse, pode (eu disse pode) nos conduzir a ansiedade.  Está claro?

 

O que é (realmente) ansiedade?

 

Existem muitas definições de ansiedade, seja como um estado passageiro, seja como algo mais grave tal como o transtorno de ansiedade, incluído no Manual Diagnostico e Estatístico de Transtornos Mentais.

 

Para nossa reflexão neste artigo vamos definir a ansiedade como uma condição mental e física na qual você sente que perde a capacidade de pensar de uma maneira clara e racional e começa a construir fantasias sobre todas as coisas ruins que podem vir a acontecer numa determinada situação. Esta definição já deixa claro algo muito importante: a ansiedade tem a ver com o futuro.  Neste sentido é diferente da depressão e da culpabilidade que, de modo geral, nos remetem a experiências do passado.

 

É importante percebermos que a ansiedade pode ser do tipo racional, ou seja, relacionada a fatos ou situações concretas – como por exemplo, a ansiedade de alguém que está desempregado e não sabe como vai se manter.  Ou pode ser do tipo não racional quando está baseada na projeção de fatos que podem (ou não) vir a acontecer.  Neste tipo de ansiedade passamos a nos preocupar obsessivamente com a possibilidade de algo ruim acontecer. Chamo este tipo de ansiedade de estado “e se…”, porque quando estamos nele ficamos presos às expectativas catastróficas criadas pela nossa própria imaginação.  Infelizmente, este tipo de ansiedade é muito comum entre as PAS.

 

E porque as PAS tendem a sofrer com a ansiedade?

 

Parte da culpa por se encontrar um alto nível de ansiedade em pessoas altamente sensíveis tem a ver com a ativação excessiva da amígdala no cérebro.  A amigdala é uma estrutura minúscula em forma de amêndoa situada na parte emocional do nosso cérebro (o sistema límbico). Sua função é nos proteger, acionando a resposta de “luta ou fuga” diante do perigo.

 

Quando o sistema “luta ou fuga” está constantemente superativado – como acontece quando entramos no estado “e se…” e começamos a imaginar catástrofes futuras – a ansiedade pode se tornar debilitante e, por vezes, levar a ataques de pânico.

 

A voz da ansiedade tem mais força em pessoas que são muito autocríticas e têm a tendência a pensar na vida em termos de “tenho que” ou “eu deveria”. E, também, naquelas que tendem a suprimir seus sentimentos e que buscam evitar o conflito a qualquer preço. Tudo indica que aqueles(as) que se esforçam muito para que as outras pessoas estejam sempre contentes, que nunca dizem não e que são sempre muito amáveis, são mais propensos a sofrer ataques de ansiedade.

 

Você se identifica? Pois é. Muitas PAS são extremamente autocríticas, inseguras e sofrem com a baixa autoestima, que as leva a estarem sempre buscando agradar aos demais, dizendo sim a tudo e fazendo qualquer esforço – inclusive o de passar por cima dos próprios sentimentos – para evitar o conflito. Por tudo isso não é de se estranhar que a ansiedade seja tão comum entre as PAS, não é mesmo?

Uma técnica poderosa

 

Desativar o sistema “lutar ou fugir” é uma das maneiras mais eficazes de reduzir a ansiedade. Para fazer isso precisamos atuar, propositalmente, de forma a ativar o cérebro cognitivo para apoiar o cérebro emocional. Uma das maneiras de fazer isso é através da respiração. A prática da respiração profunda ajuda a diminuir a frequência cardíaca e permite que o cérebro ative os seus centros calmantes.

Pratique ❤

    • Feche os olhos (80% da estimulação provém dos nossos olhos).
    • Inspire. enquanto conta até 4.
    • Mantenha os pulmões cheios, contando até 2
    • Expire, enquanto conta até 7

 

Como você não respira desta maneira quando está em perigo, esta respiração envia uma mensagem para o seu cérebro, informando que você não está ameaçado(a) e que não precisa do sistema de “luta ou fuga” ativado. O longo exalar ativa um centro calmante em seu cérebro que desativa os centros de estresse. Os dois não podem estar ativados ao mesmo tempo. Então, quando você realiza práticas que ativam os centros calmantes, está automaticamente desativando o centro de estresse!

 

Faça isso até sete ciclos respiratórios por vez. Use esta técnica ao longo do dia ou sempre que sentir que está entrando numa espiral de ansiedade.

 

Outras alternativas:

 

Muitas PAS são sensíveis a medicamentos e seus efeitos colaterais, por isso vale a pena experimentar s técnicas naturais e alternativas primeiro.

  • Desligue as notificações no seu telefone. Toda vez que você ouve ou vê uma notificação seu cérebro entra em modo de ação.
  • Pratique a técnica de respiração profunda apresentada acima
  • Passe algum tempo na natureza. Estar presente na natureza é incrivelmente calmante para o sistema nervoso sensível.
  • Busque uma maneira de expressar seus sentimentos. Escreva um Diário, ou se dedique a alguma atividade criativa.
  • A meditação também ajuda a desacelerar o sistema nervoso e ativa os centros calmantes. Procure uma técnica que se adeque a você e pratique diariamente. Ou use este tempo para fazer uma oração e reforçar seu senso de conexão com a divindade.

 

Existem muitas outras maneiras de lidar com a ansiedade, sem recorrer a medicamentos químicos. Estas são apenas as minhas sugestões. Experimente aquela(s) que lhe parecer mais adequada. Ou então, pesquise e busque algo que lhe agrade mais. O importante é ter clareza que, embora não possamos alterar a nossa vulnerabilidade a nos sentirmos ansiosos, há muito que podemos fazer para não nos tornarmos reféns desta tendência. Afinal, trata-se apenas disto: uma tendência – que pode ser contida e controlada. E não de algo inevitável em nossa vida.

 

Espero que você escolha aprender a controlar a sua tendência à ansiedade, ao invés de ser controlado(a) por ela.

 

Um grande abraço,

 

E até o próximo mês.

 

Beijos e bênçãos,

 

 

 

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Sobre o autor
Rosalira Oliveira Sou coach com formação em coaching ontológico e especializada em alta sensibilidade. Fiz minha transição recentemente, quando encerrei meu ciclo como pesquisadora e doutora em antropologia cultural e tornei-me criadora do “Ame sua sensibilidade”, um programa de coaching destinado a ajudar as pessoas altamente sensíveis a compreender e integrar em essa sua característica, de modo a viver uma vida com mais felicidade e significado.

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