Ano novo, vida nova? As PAS, as promessas e o ano novo

Ano novo, vida nova? As PAS, as promessas e o ano novo

02/01/2019 artigos Rosalira Oliveira

Ano novo, vida nova. Não é isto que diz o ditado? E por acreditarmos nesta declaração, muitos de nós nos dedicamos a fazer listas de resoluções de ano novo, repletas de tudo aquilo que precisamos fazer (ou achamos que precisamos fazer) para criar a tal vida nova. Levados pelo clima de final de ano declaramos que vamos perder peso, fazer exercícios, comer de forma saudável, aprender uma língua estrangeira, parar de fumar… ou qualquer outra coisa que faça parte da nossa lista de “coisas a fazer no novo ano.”

 

Quando penso nessa autoimposição de muitas pessoas, uma pergunta sempre me vem à mente: será realmente necessário nos comprometermos a fazer uma série de coisas novas a cada começo de ano? Parece que todo dia 1 de janeiro ficamos contagiados pela “febre de mudar de vida”. E fazemos planos e promessas sem nos determos para avaliar a viabilidade ou mesmo a real necessidade de todas essas mudanças, uma atitude que me parece precipitada, para dizer o mínimo.

 

Puxa Rosalira, você é contra resoluções de ano novo? Não acha que este é um bom momento para reavaliarmos a nossa vida e pensar naquilo que queremos melhorar? Acho, acho mesmo. Quem acompanha o meu trabalho sabe o quanto me encanta essa simbologia de renovação. A ideia de um novo começo é algo que traz ao espírito humano uma força renovada, uma coragem e uma fé que nos ajudam a tomar decisões importantes. Entretanto, prefiro pensar em termos de criar um novo ano na minha vida atual, ao invés de me propor mudar de vida de maneira radical.

 

Uma das razoes que me levam a esta postura é o fato de que sei que como uma pessoa com alta sensibilidade, eu reajo muito intensamente a mudanças. Situações novas me geram um nível de estresse bem mais alto do que o da maioria das pessoas na mesma situação. E este é um fato que aprendi a levar em consideração.

 

A outra razão é que encaro o ano que começa como uma nova oportunidade para seguir em frente com meus projetos e até para criar novos, mas não como algo que vai mudar o que vivi até agora e que me transformou na pessoa que sou hoje.  Por isso creio que a chave não está em seguir à risca o ditado “ano novo, vida nova”, mas em aprender com o que vivemos e equilibrar com aquilo que queremos criar de novo em nossa vida.

Criando um ano novo na sua (nem tão velha) vida

Antes de tudo acho importante ressaltar que eu não sou, nem de longe, a única pessoa altamente sensível a sentir dificuldade para gerir o estresse causado por mudanças e situações novas. De maneira geral, nós PAS tendemos a ser pessoas cautelosas e também reflexivas. Nós olhamos duas vezes antes de nos arriscarmos e tentamos medir todos os prós e contras de cada alternativa antes de tomar uma decisão.  Por tudo isso, as PAS mudam de uma maneira lenta, num processo de dentro para fora, que requer um tempo de incubação. E é preciso respeitar esse processo e o seu ritmo

 

Mas então, como promover mudanças em nossa vida respeitando nossa natureza altamente sensível? Minha primeira sugestão é não se estresse antes de começar. Quantas vezes não enchemos a nossa agenda novinha em folha com um monte de tarefas – que ocupariam todas as horas do dia – somente para desistirmos depois de algum tempo por nos sentirmos exaustos e hiperestimulados?

 

Por isso, respeite a si mesmo(a) e ao seu próprio ritmo. Busque começar o novo ano com relaxamento e sem estresse, vendo-o como uma porta aberta para a oportunidade de experimentar coisas novas, mas, sem a obrigação de tornar-se uma pessoa diferente.  Continuar fluindo com aquilo que já construímos e avançar para o próximo nível, com a tranquilidade e a confiança de que as coisas seguirão o seu caminho, constitui melhor planejamento para o ano novo. E para isso é fundamental que aprendamos a reconhecer aquilo que nos pertence e aquilo que não.

 

Guiar-se pelos valores: a chave para atuar em plenitude

 

Por toda a minha experiência de trabalho com PAS, penso que um dos aspectos mais importantes na hora de estabelecermos objetivos diz respeito aos valores. As PAS costumam ser profundamente orientadas pelos seus valores, mesmo quando não estão conscientes disto.

 

Se fossemos definir valores, poderíamos dizer que  ”os valores são as diretrizes da nossa vida, as guias que dão sentido ao nosso comportamento”. São eles que nos orientam na hora de fazermos escolhas e sem eles nossas ações perderiam seu significado. Para uma pessoa altamente sensível, os valores são uma parte essencial da motivação (motivo para a ação). Por isso, seus objetivos precisam ser congruentes com seus valores, para que eles sejam realmente viáveis e que você não incorra em comportamentos de autossabotagem.

 

Por exemplo: digamos que você estabeleceu o objetivo de passar em um concurso público em 2019. Se a segurança for um dos seus valores centrais, haverá uma harmonia entre a sua meta e os seus valores. Porém, se liberdade e autonomia estiverem entre os seus valores centrais é possível que você tenha dificuldades em estudar ou em assimilar os conteúdos, numa expressão da sua contradição interna em relação a este objetivo.

 

A grande vantagem de viver em harmonia com seus valores é que a vida passa a ter mais sentido e você se sente mais realizado, o que contribui para reduzir o nível de estresse. Sentir que você está seguindo seu caminho lhe libera de muitas tensões e da preocupação excessiva com a opinião alheia, uma vez que você se sente seguro(a) de que as suas escolhas refletem, efetivamente, quem você é.

 

E agora, minhas sugestões:

Para finalizar eu gostaria de lhe deixar algumas sugestões para ajudar na sua reflexão sobre os seus objetivos para este ano.

 

  1. Proponha-se desafios, não obrigações. Ninguém gosta de ser obrigado a fazer nada, mesmo quando a obrigação é autoimposta. Proponha-se coisas que sejam atraentes para você. Ou então, descubra maneiras de tornar atraente algo aparentemente chato, mas importante para você.
  2. Escolha um desafio principal. Como PAS nós dispomos de uma quantidade menor de energia do que a média das pessoas. Por isso mesmo é uma boa estratégia enfocar sua energia naquilo que você realmente considera importante, ao invés de dispersá-la estabelecendo muitas metas e sentir-se frustrado(a) por não ser capaz de dar conta de tantas atividades.
  3. Faça uma leitura positiva de tudo o que você viveu e aprendeu ao longo dos últimos 12 meses. E agradeça à Fonte (o Universo, Deus ou como você queira chamar) por todas as alegrias e aprendizados que o ano lhe trouxe.
  4. Comece devagar, com calma e tranquilidade. A pressa não costuma ser uma boa conselheira, menos ainda para uma PAS que costuma atuar mal quando está sob pressão. Delimite o seu objetivo e vá avançando aos poucos, usando a estratégia que eu chamo de PPPs (Pequenos Passos de PAS).
  5. Não se coloque apenas uma lista de coisas a “fazer”. Pense também em termos de ser”. Esteja atento(a) à outras áreas da sua vida que também necessitam do seu tempo/atenção para um crescimento equilibrado.
  6. Por fim, enquanto estiver definindo suas metas para o novo ano, pergunte-se:
  • Esta meta é ecológica? como ela se relaciona com as outras tarefas/papeis e atividades presentes na minha vida?
  • É sustentável para mim? Conseguirei manter o esforço que ela exige pelo tempo necessário para realiza-la?
  • É coerente comigo e com os meus valores ou está ligada a uma definição externa de sucesso?
  • Qual o custo que ela exigirá de mim? Considero o ganho que ela trará importante o suficiente para que eu abra mão de outras coisas que me dão prazer?

 

Espero que algumas destas ideias lhe sejam úteis e que lhe ajudem a definir objetivos para o ano que se inicia. Como  presente de começo de ano quero lhe deixar um pequeno exercício de coaching para rever 2018 e preparar 2019, que você pode baixar no link que se encontra na imagem abaixo.

 

Que você receba janeiro com o mesmo sorriso com que se despediu de tudo o que aconteceu em 2018! E acima de tudo, que escute a si mesmo(a) e ponha sua atenção e sua energia naquilo que realmente deseja e que lhe preenche.

 

Um feliz ano novo para você e meus votos de que continuemos crescendo juntos em 2019!

 

Beijos e bênçãos,

 

 

 

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Sobre o autor
Rosalira Oliveira Sou coach com formação em coaching ontológico e especializada em alta sensibilidade. Fiz minha transição recentemente, quando encerrei meu ciclo como pesquisadora e doutora em antropologia cultural e tornei-me criadora do “Ame sua sensibilidade”, um programa de coaching destinado a ajudar as pessoas altamente sensíveis a compreender e integrar em essa sua característica, de modo a viver uma vida com mais felicidade e significado.

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