Altamente sensível e dizer não – Parte I

Altamente sensível e dizer não – Parte I

02/06/2016 artigos Rosalira Oliveira

 


pessoas altamente sensível e dizer não De modo geral, para nós, pessoas altamente sensiveis, é muito difícil dizer não. Basta começar a pensar em dizer esta palavra que logo nos vem à mente as suas possíveis consequências: a frustração da outra pessoa, a discussão que vai se seguir (com ela tentando nos convencer e nós esforçando-nos por manter nossa posição) e, a pior de todas as consequências, a outra pessoa ficar zangada conosco.  Tudo isso e muito mais passa pela nossa cabeça enquanto decidimos o que dizer (somos muito bons em criar filminhos imaginários). Assustados diante de todas essas possibilidades, geralmente acabamos dizendo sim e nos arrependendo no momento seguinte.

 

Por que nos arrependemos? Por vários motivos. Porque já estamos sobrecarregados tentando dar conta de todas as nossas tarefas e também das alheias (que assumimos por não saber   dizer não); porque não nos agrada o compromisso que acabamos de assumir; porque no fundo nos sentimos explorados com todos os favores que acabamos fazendo para os demais… A lista é extensa e bem conhecida de muitos de nós.   

 

Porque nos custa tanto dizer não? 

E porque prosseguimos pela vida dizendo sim a todos, sobrecarregando-nos com listas de coisas a fazer e desconsiderando nossas reais necessidades? A resposta pode variar para cada um de nós, mas de um modo geral podemos listar alguma razões diretamente vinculadas à característica da alta sensibilidade, entre elas:

 

⦁    A extrema empatia que faz com que estejamos dolorosamente conscientes das necessidades alheias;
⦁    O medo da reação do outro e nossa “alergia” a conflitos 
⦁    O desejo de agradar e ser querido por todos;
⦁    A expectativa social que nos diz que pessoas que dizem não são egoístas (o que nos gera muita culpa) e,
⦁    O desejo verdadeiro de ajudar ao outro

 

Para cada caso, muitos destes motivos (e outros mais) podem estar atuando juntos. O mais importante é perceber as causas mais profundas desta dificuldade e as consequências para a nossa vida. Uma dessas causas é, sem dúvida, a questão da autoestima. Embora todos sejamos em algum nível dependentes da aprovação alheia, nós PAS, temos a tendência a supervalorizar as opiniões (verdadeiras ou imaginarias) que os outros possuem a nosso respeito. Isso faz com que nosso autorrespeito oscile em função da aprovação externa. Na busca dessa aprovação, muitas vezes perdemos nosso centro e nos sentimos como se estivéssemos dando pequenos pedaços de nós aos demais

 

Não é preciso dizer o quanto esta situação pode nos tirar de energia, alegria e autenticidade. Seguir pela vida dizendo sim quando queremos dizer não é um ato de profunda autonegação. É abdicar de si mesmo em favor de uma máscara, uma persona social criada para obter aprovação e que, ao final, oculta nosso eu verdadeiro, não apenas dos outros como também de nós mesmos. Cada vez que dizemos sim quando efetivamente queremos dizer não, estamos comprometendo a nossa dignidade. Cada vez que dizemos não e nossa vontade não é levada em consideração, nos sentimos desrespeitados.

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Dá para mudar?

Dizer não não é uma opção fácil e somente podemos fazê-lo quando nos mantemos conscientes do que está em jogo. Foi só quando decidi que já não tinha tempo para viver de acordo com os códigos alheios e que precisava correr atrás da vida e do trabalho que sonhava, que tive condições de dizer não àquilo que não tinha a ver com este propósito. Fazer 50 aos me dotou de um sentido de urgência que me impulsionou a romper barreiras e buscar mais realização e autenticidade. E passei a dizer não com mais frequência e clareza. Nesse caminho conhecer mais a respeito da minha sensibilidade e aprender a amar esta característica, reconhecendo-a como "parte daquilo que eu sou", ao invés de um "defeito" ou "problema", foi algo fundamental, 

 

Mesmo com todo o trabalho de autoconheciemento e autoaceitação, dizer não está longe de ser uma uma conquista definitiva. Por vezes, ainda me pego cedendo quando devia manter meu ponto de vista, mas agora reconheço que há algo mais valioso em jogo: meu tempo, minha saúde, meus sonhos… E você? A quais sonhos está dizendo não, quando diz sim a todos?

 

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Sobre o autor
Rosalira Oliveira Sou coach com formação em coaching ontológico e especializada em alta sensibilidade. Fiz minha transição recentemente, quando encerrei meu ciclo como pesquisadora e doutora em antropologia cultural e tornei-me criadora do “Ame sua sensibilidade”, um programa de coaching destinado a ajudar as pessoas altamente sensíveis a compreender e integrar em essa sua característica, de modo a viver uma vida com mais felicidade e significado.

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