Alta sensibilidade e as mensagens do corpo

Alta sensibilidade e as mensagens do corpo

02/06/2016 artigos Rosalira Oliveira

alta sensibilidade e o corpoQuando falamos em sensibilidade costumamos nos concentrar em características psicológicas (empatia, facilidade para emocionar-se, atenção aos detalhes, etc.), Mas a realidade é que a alta sensibilidade é uma característica que se expressa também (e de forma muito clara) no nosso corpo. Isso significa dizer que temos um corpo altamente sensível e entender e seguir suas mensagens é crucial para a tarefa de integrar e canalizar nossa sensibilidade.

 

Uma primeira consequência dessa condição é o fato de que os estímulos externos nos atingem mais profundamente que a média das pessoas. Aquele ruído constante que irrita seu colega de trabalho pode realmente deixar você enlouquecido ao ponto de não conseguir se concentrar em nada e ter vontade de gritar (ou, então, desencadear uma crise de enxaqueca). Mesmo ouvir a televisão depois de um certo tempo pode nos deixar com a impressão de estar saturados e necessitando urgentemente de silêncio.

 

Os cheiros também podem ser outra fonte de desconforto para as PAS. A sensibilidade ao odor pode ser muito pronunciada em alguns de nós. A própria Elaine Aron conta que ela e sua família escaparam de um incêndio durante a noite porque ela despertou ao sentir o cheiro da fumaça. Também as alergias respiratórias comuns a muitas PAS, atestam essa permeabilidade do nosso olfato. Outra coisa que costuma ter um efeito nocivo sobre nós são as luzes fortes. Os clássicos ambientes modernos, como shopping centers ou discotecas, com a sua combinação de luzes fortes e barulho podem ser realmente dolorosos para muitos de nós. Embora eu seja particularmente vulnerável à essa combinação, tenho observado que ela atinge de maneira mais aguda as crianças PAS, que entram num estado de ansiedade desencadeado pelo excesso de estímulos que funciona como um verdadeiro bombardeio para um sistema nervoso altamente sensível.

 

Mas, talvez o órgão do corpo no qual mais claramente se expressa a alta sensibilidade seja a pele. Se você é PAS é provável que lhe incomodem as etiquetas das roupas roçando na pele, sensação que pode mesmo chegar a causar dor. E o mesmo se pode dizer de tudo que está em contato contínuo com a pele, como por exemplo, um lençol de um tecido muito duro que nos atrapalha o sono durante toda a noite. Não é necessário lembrar que esta sensibilidade também nos torna muito profundamente receptivos ao toque de pessoas queridas, às massagens, ao contato com tecidos macios, flores, etc.

 

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Sensibilidade: dom ou problema?

Como afirma a dra. Elaine Aron, a sensibilidade é uma característica neutra, que simplesmente nos permite experimentar o mundo de uma forma mais intensa. Isto pode ser bom ou ruim dependendo do modo como lidamos com esta predisposição. Podemos usar nossos sentidos refinados para apreciar com mais profundidade as experiências prazerosas como o canto dos pássaros, a carícia do ser amado ou o cheiro da terra molhada após a chuva. Podemos respeitar nossa necessidade de descanso e de tranquilidade e trabalhar ativamente para criar o tempo/espaço necessário para isso em nossas vidas. Ou podemos ignorar as necessidades do nosso corpo e forçarmo-nos a “ser como todo mundo”, caindo na armadilha da hiperexcitação, do esgotamento e do estresse, abrindo a porta para inúmeras doenças somáticas que só nos farão sentirmo-nos mais inadequados.

 

O esforço por ser igual acaba funcionando como uma exigência a mais, produzindo mais angústia e tensão. O fato de não sermos iguais à maioria das pessoas não nos torna inferiores, apenas diferentes. Uma vez que possuímos um sistema nervoso central altamente receptivo, captamos muito mais informação durante todo o período de vigília e nosso corpo se ressente dessa sobrecarga. Por isso é tão importante estarmos atentos a ele e aos sinais que indicam uma sobressaturação de estímulos, tais como:

 

⦁ Dor de cabeça
⦁ Tensão muscular
⦁ Irritabilidade
⦁ Mãos/ pés frios
⦁ Cansaço/apatia
⦁ Dor de barriga
⦁ Aperto no peito
⦁ Pressão alta

 

A importância do descanso

Uma das primeiras necessidades de um corpo altamente sensível é o descanso. Estando constantemente bombardeado pelos inúmeros estímulos do meio ambiente (que costumam ser excessivos para a maioria de nós), o descanso é essencial para sua recuperação. Portanto é preciso dormir. As PAS costumam se ressentir mais do que as outras pessoas quando sofrem déficit de sono.

 

Depois precisamos de outros tipos de descanso, um deles é o lazer. Seja pelo temor de cometer erros, seja pela tendência ao perfeccionismo muitas vezes trabalhamos demais, esquecendo de reservar tempo e espaço para as atividades de lazer. Entretanto, é preciso ter cuidado para não se deixar prender pela definição estandardizada de lazer da nossa sociedade. Uma festa agitada com muita gente e música alta, pode ser tudo, menos agradável para a maioria de nós. Sentar-se tranquilamente numa praça, ler um livro, cuidar das plantas, pintar, bordar ou dar um passeio podem ser atividades bem mais revigorante para você. Ou não. Cada um sabe o que lhe harmoniza ou desequilibra, o importante é ser fiel a essa percepção interna.

 

Por fim uma outra maneira de descansar é transcender. Entrar em outro estado de consciência. Esvaziar a mente é uma necessidade vital para a maioria das PAS. O motivo é claro: com um mundo interior tão rico aliado à capacidade para absorver tantas informações, a mente vive num estado constante de atividade. Por isso, praticar algum tipo de meditação de consciência pura voltada à liberação dos pensamentos é um imperativo para aprender a lidar com nosso corpo e o estresse cotidiano. 

 

Se quiser conhecer outras maneiras de lidar com a sua sensibilidade no dia a dia, baixe gratuitamente o e-book “Dez Estratégias para Conviver com a Alta Sensibilidade”, espero que ele lhe inspire algumas práticas de autocuidado. Entretanto, se você sentir que precisa de um apoio mais direto na tarefa de integrar e canalizar sua sensibilidade, conheça o PAS- Programa Ame sua Sensibilidade, talvez um trabalho de coaching seja o adequado para você. 

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Sobre o autor
Rosalira Oliveira Sou coach com formação em coaching ontológico e especializada em alta sensibilidade. Fiz minha transição recentemente, quando encerrei meu ciclo como pesquisadora e doutora em antropologia cultural e tornei-me criadora do “Ame sua sensibilidade”, um programa de coaching destinado a ajudar as pessoas altamente sensíveis a compreender e integrar em essa sua característica, de modo a viver uma vida com mais felicidade e significado.

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